Buscar a justiça, como Jesus, Maria e José. (Semente Josefina. Fevereiro/2019)

1 Acolhida

2 Oração Inicial

 3 Tema do Mês

 Buscar a justiça, como Jesus, Maria e José.

 “É para mim uma alegria cumprir este dever pastoral, no intuito de que cresça em todos a devoção ao Patrono da Igreja universal e o amor ao Redentor, que ele serviu de maneira exemplar. Desta forma, todo o povo cristão não só recorrerá a São José com maior fervor e invocará confiadamente o seu patrocínio, mas também terá sempre diante dos olhos o seu modo humilde e amadurecido de servir e de “participar” na economia da salvação”. (São João Paulo II. Redemptoris Custos)

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Alegrai-vos e Exultai, nos itens de 77 a 77, nos exorta que “a justiça começa por se tornar realidade na vida de cada um” quando somos “justos nas próprias decisões”, e comprometidos com a “busca da justiça para os pobres e vulneráveis”. Vejamos:

«Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados» (Mt 5,6)

«Fome e sede» são experiências muito intensas, porque correspondem a necessidades primárias e têm a ver com o instinto de sobrevivência. Há pessoas que, com esta mesma intensidade, aspiram pela justiça e buscam-na com um desejo assim forte. Jesus diz que elas serão saciadas, porque a justiça, mais cedo ou mais tarde, chega e nós podemos colaborar para o tornar possível, embora nem sempre vejamos os resultados deste compromisso.

Mas a justiça, que Jesus propõe, não é como a que o mundo procura, uma justiça muitas vezes manchada por interesses mesquinhos, manipulada para um lado ou para outro. A realidade mostra-nos como é fácil entrar nas súcias da corrupção, fazer parte dessa política diária do «dou para que me deem», onde tudo é negócio. E quantas pessoas sofrem por causa das injustiças, quantos ficam assistindo, impotentes, como outros se revezam para repartir o bolo da vida. Alguns desistem de lutar pela verdadeira justiça, e optam por subir para o carro do vencedor. Isto não tem nada a ver com a fome e sede de justiça que Jesus louva.

Esta justiça começa por se tornar realidade na vida de cada um, sendo justo nas próprias decisões, e depois manifesta-se na busca da justiça para os pobres e vulneráveis. É verdade que a palavra «justiça» pode ser sinônimo de fidelidade à vontade de Deus com toda a nossa vida, mas, se lhe dermos um sentido muito geral, esquecemo-nos que se manifesta especialmente na justiça com os inermes: «procurai o que é justo, socorrei os oprimidos, fazei justiça aos órfãos, defendei as viúvas» (Is 1, 17).

Buscar a justiça com fome e sede: isto é santidade.

Inúmeras foram as ocasiões em que São José sentiu-se em situação de dor e sofrimento, decorrentes das injustiças praticadas contra si mesmo, contra sua família e conta o povo do qual fazia parte. E São José buscou, com todas as suas forças e com sábio discernimento, participar do plano salvífico de Deus, no qual se incluía a encarnação do Verbo e a redenção da humanidade em Jesus, o Verbo que se fez Carne: Deus e Homem verdadeiro.

A vida e o exemplo de São José nos ensinam que a busca da justiça é um compromisso ao qual ninguém está dispensado. A contrário: todos somos chamados a este compromisso, mas cada qual deve corresponder ao chamado conforme sua vocação específica.

O Papa São João Paulo II indica claramente São José como o “homem justo” e “mestre singular”, capaz de nos “indicar os caminhos” e modo de servir aos interesses de Jesus em cada geração. Vejamos o ele nos diz na Redemptoris Custos, item 78:

O Concílio Vaticano II procurou sensibilizar-nos novamente a todos para “as grandes coisas de Deus” e para aquela “economia da salvação” de que São José foi particularmente ministro. Recomendando-nos, pois, à proteção daquele a quem o próprio Deus “confiou a guarda dos seus maiores e mais preciosos tesouros”, aprendamos com ele, ao mesmo tempo, a servir a “economia da salvação”. Que São José se torne para todos um mestre singular no serviço da missão salvífica de Cristo, que, na Igreja, compete a cada um e a todos: aos esposos e aos pais, àqueles que vivem do trabalho das próprias mãos e de todo e qualquer outro trabalho, às pessoas chamadas para a vida contemplativa e às que são chamadas ao apostolado.

O Papa São João Paulo II nos ensina, também, que ao refletirmos sobre a vida e o exemplo de São José é preciso ter especial atenção para o “seu modo humilde e amadurecido de servir e de “participar” na economia da salvação”.

Tenho para mim, efetivamente, que o fato de se considerar novamente a participação do Esposo de Maria no mistério divino permitirá à Igreja, na sua caminhada para o futuro juntamente com toda a humanidade, reencontrar continuamente a própria identidade, no âmbito deste desígnio redentor, que tem o seu fundamento no mistério da Encarnação.

Foi precisamente neste mistério que José de Nazaré “participou” como nenhuma outra pessoa humana, à exceção de Maria, a Mãe do Verbo Encarnado. Ele participou em tal mistério simultaneamente com Maria, envolvido na realidade do mesmo evento salvífico, e foi depositário do mesmo amor, em virtude do qual o eterno Pai “nos predestinou a sermos adotados como filhos, por intermédio de Jesus Cristo” (Ef 1,5).

É preciso buscar a justiça com fome e sede: isso é santidade, como nos disse o Papa Francisco. E é sábio que o façamos, cada um conforme sua vocação específica.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mt 5, 6).

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça e, a exemplo de José, são justos nas próprias decisões, porque serão saciados.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça e, a exemplo de José, buscam a justiça não apenas para si, mas também para os pobres e vulneráveis, porque serão saciados.

Bem-aventuradas as pessoas chamadas para a vida contemplativa e, à exemplo de José, têm fome e sede de justiça e se comprometem com os interesses de Jesus, porque serão saciadas.

Bem-aventuradas as pessoas chamadas ao apostolado e, à exemplo de José, têm fome e sede de justiça e se comprometem com os interesses de Jesus, porque serão saciadas.

Bem-aventurados os esposos e pais e, à exemplo de José, têm fome e sede de justiça e se comprometem com os interesses de Jesus em suas famílias e no mundo do trabalho, porque serão saciados.

4 Reflexão e Partilha

Partilhar sobre as palavras do Papa Francisco: “Esta justiça começa por se tornar realidade na vida de cada um, sendo justo nas próprias decisões, e depois manifesta-se na busca da justiça para os pobres e vulneráveis. É verdade que a palavra «justiça» pode ser sinônimo de fidelidade à vontade de Deus com toda a nossa vida, mas, se lhe dermos um sentido muito geral, esquecemo-nos que se manifesta especialmente na justiça com os inermes: «procurai o que é justo, socorrei os oprimidos, fazei justiça aos órfãos, defendei as viúvas»”.

5 Compromisso do Mês

Praticar o compromisso com a justiça nas situações concretas dia a dia, estando ao lado do irmão que sofre e consolando-os com gestos concretos de compromisso cristão.

Oração Final

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