José, o justo e místico carpinteiro de Nazaré. (Semente de Espiritualidade Josefina. Agosto/2020)

1 Acolhida

2 Oração Inicial

3 Tema do Mês

José, o justo e místico carpinteiro de Nazaré.

“A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José.[1] (São João Paulo II)

É comum vermos as pessoas associarem a São José a qualificação de carpinteiro no sentido de ele estar desenvolvendo uma profissão e, com isso, provendo o Lar de Nazaré com os recursos necessários para o sustento e a proteção para Maria, sua esposa, e seu Filho Jesus. E se fosse apenas isso já nos permitiria ter para com José um olhar respeitoso: um homem honesto e trabalhador cuidando de sua família.

O Papa São João Paulo II nos ensinou a ter um novo olhar sobre o trabalho de São José afirmando que São José os amava profundamente, e que para ele “a expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho”[2]. E se fosse apenas isso já nos permitiria ter para com José um olhar respeitoso: um homem honesto e trabalhador cuidando de sua família, e demonstrando concretamente, através do trabalho, o quanto ama sua família.

Em seu estudo intitulado “São José e a Espiritualidade do Trabalho”[3]. Padre Miguel Piscopo, Oblato de São José, nos ensina a ter uma visão ainda mais rica sobre São José Trabalhador. Além do título de “carpinteiro”, como se estivéssemos falando apenas de sua profissão, São José merece que associemos à pessoa de São José os adjetivos “justo e místico”. E que “o santo patriarca é um mestre da vida interior, pois ele nos ensina a conhecer Jesus, para vivermos com Ele e sentirmo-nos parte da família de Deus”[4]. Vejamos:

Abramos os evangelhos. Já nas primeiras páginas nos vem apresentado José, jovem carpinteiro de Nazaré, justo e místico. Embora sendo descendente do rei Davi, é um pobre operário, um simples, humilde e escondido homem de seu vilarejo. Pertence à classe operária e vive a dura experiência do trabalho feita de suor e de sacrifício.

Provavelmente sonhava ou já tinha o seu projeto de vida pessoal: formar uma família numerosa, como era o costume do tempo, tornar-se um pequeno empreendedor e com a sua carpintaria dar trabalho e um futuro seguro aos seus filhos e suas respectivas famílias. Mas ao aceitar ser colaborador de Deus no Plano da Salvação, deixou à parte seus projetos pessoais para se colocar ao serviço de toda a humanidade que devia ser redimida pelo Filho de Deus. Tão alto e grande é a tarefa que Deus lhe confia, quanto humilde e escondida tinha sido até então a sua existência.

Imaginemos José na sua oficina de Nazaré, empenhado no trabalho cotidiano, sem se desanimar diante das fatigas. Com as mãos cheias de calos e o suor da fronte, com o seu trabalho de carpinteiro ele sustenta a família e, ao mesmo tempo, vai ao encontro dos necessitados de seu povo que no lugarejo o interpelam devido às suas necessidades. Não trabalha para enriquecer, quem sabe desonestamente e em detrimento dos menos favorecidos. Também por isso é chamado “Justo” pelo evangelho.

Quando foi viver em Belém, sem dúvida experimentou o desemprego que quer dizer pobreza e humilhação. Sendo perseguido, tornou-se fugitivo político e foi obrigado a emigrar em um país estrangeiro (Egito) para salvar o Menino e sua Mãe, vivendo duros e amargos dias de desempregado. Podemos imaginar a sua tragédia: sem casa, sem trabalho, sem a certeza de poder se alimentar cada dia, sem conhecer a cultura egípcia nem a língua e sem segurança para o seu futuro. Abandonou-se nas mãos de Deus: não permanecendo no ócio e implorando fáceis milagres para resolver as suas necessidades, mas continuando na luta em busca de uma vida digna para si e para sua família.

A Igreja nos apresenta São José como modelo dos trabalhadores, ou seja, de todos aqueles que devem ganhar o pão por meio do trabalho. Foi o papa Pio XII, que no ano de 1955, por ocasião do 10° Aniversário da “Associazione Cattolica Lavoratori Italiani” (ACLI), instituiu a Festa de São José Operário a ser celebrada todos os anos no dia 1° de maio.

Esta festa ajudou a descobrir a dignidade e o significado do trabalho. De fato, o carpinteiro de Nazaré nos ensina o amor ao trabalho, a sua importância no contesto da dignidade humana, o espírito de laboriosidade, a consciência de uma profissão, a fidelidade ao dever, em suma, o valor profundo do trabalho. O exemplo de vida de São José é valido para todos os homens de todos os tempos, porque ele viveu uma tarefa de primeira grandeza, mas ao mesmo tempo cotidiana e silenciosa. Não aparece, e, todavia, está presente nos momentos em que as circunstâncias requerem um esposo e um pai corajoso, pronto, rápido nas decisões e que sabe arranjar-se nas situações complicadas. Trabalhando com amor, sem perder tempo, sem diletantismos, sem agitação, sem conversa fiada, sem orgulho nem avareza. José nos diz que a Igreja desde os seus primórdios conhece o trabalho e o santifica.

O Guardião do Redentor ensinou a Jesus a profissão de carpinteiro, mas deu-lhe, sobretudo um validíssimo exemplo daquilo que a Escritura chama “temor de Deus”; princípio mesmo da sabedoria, que consiste na submissão religiosa a Ele e no desejo íntimo de buscar e cumprir sempre a Sua vontade. São João Paulo II escreveu: “Graças à banca do trabalho junto à qual desenvolvia o seu ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano ao mistério da redenção”[5].

São José nos ensina todos esses valores com sua característica de homem comum: um pai de família, um trabalhador que ganha sua vida com a força de seus braços. Esse fato tem para nós um significado que é motivo de reflexão e de alegria.  Na intimidade com ele, descobrimos que o santo patriarca é um mestre da vida interior, pois ele nos ensina a conhecer Jesus, para vivermos com Ele e sentirmo-nos parte da família de Deus. Todos os trabalhadores devem se sentir alunos de São José, companheiros e colegas de Cristo trabalhador.

4 Reflexão e Partilha

Partilhar sobre as palavras do Padre Michele Piscopo: “Na intimidade com ele, descobrimos que o santo patriarca é um mestre da vida interior, pois ele nos ensina a conhecer Jesus, para vivermos com Ele e sentirmo-nos parte da família de Deus”.

5 Compromisso do Mês

Exercitar-se na prática de realizarmos nosso trabalho com amor e na companhia de São José.

6 Oração Final


[1] São João Paulo II. Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 22

[2] São João Paulo II. Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 22

[3] São José e Espiritualidade do Trabalho. Miguel Piscopo. Presbítero e Superior Geral Emérito dos Oblatos de São José.

[4] Idem.

[5] São João Paulo II. Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 22

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