
1 Acolhida
2 Oração Inicial
3 Tema do Mês
Sob o olhar de São José, aprendamos a preservar os dons que Deus nos confiou.
“Os pastores descobrem que, num lugar extremamente humilde, reservado aos animais, nasce para eles o Messias há tanto esperado, para ser o seu Salvador, o seu Pastor. Uma notícia que abre o seu coração à admiração, ao louvor e ao anúncio jubiloso. «Ao contrário de tanta gente ocupada a fazer muitas outras coisas, os pastores tornam-se as primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação que nos é oferecida. São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o acontecimento da Encarnação»”. [1] (Papa Francisco)
O Papa São João Paulo II, na Exortação Apostólica Redemptoris Custos, nos ensina que “segundo o costume do povo hebraico, o matrimônio constava de duas fases: primeiro, era celebrado o matrimônio legal (verdadeiro matrimônio); e depois, só passado um certo período, é que o esposo introduzia a esposa na própria casa”. Vejamos:
O homem “justo” de Nazaré possui sobretudo as características bem nítidas do esposo. O Evangelista fala de Maria como de “uma virgem desposada com um homem … chamado José” (Lc 1,27). Antes de começar a realizar-se “o mistério escondido desde todos os séculos em Deus” (Ef 3,9), os Evangelhos põem diante de nós a imagem do esposo e da esposa. Segundo o costume do povo hebraico, o matrimônio constava de duas fases: primeiro, era celebrado o matrimônio legal (verdadeiro matrimônio); e depois, só passado um certo período, é que o esposo introduzia a esposa na própria casa. (São João Paulo II). [2]
No mesmo documento o Papa São João Paulo II também nos ensina que José e Maria já eram verdadeiros esposos antes passarem a viver juntos, o que aconteceu apenas após a segunda fase do casamento deles. Vejamos:
Antes de viver junto com Maria, portanto, José já era o seu “esposo”; Maria, porém, conservava no seu íntimo o desejo de fazer o dom total de si mesma exclusivamente a Deus. Poder-se-ia perguntar de que modo este desejo se conciliava com as “núpcias”. A resposta vem-nos somente do desenrolar dos acontecimentos salvíficos, isto é, da ação especial do próprio Deus. Desde o momento da Anunciação, Maria sabe que deve realizar-se o seu desejo virginal, de entregar-se a Deus de modo exclusivo e total, precisamente tornando-se mãe do Filho de Deus. A maternidade por obra do Espírito Santo é a forma de doação que o próprio Deus espera da Virgem, “desposada” com José. E Maria pronuncia o seu fiat (faça-se). [3]
O Papa Francisco, na Audiência Geral de 12 de fevereiro de 2025, relata mais detalhes sobre o nascimento de Jesus e que “o Filho de Deus entra na história, fazendo-se nosso companheiro de caminho, e começa a viajar quando ainda está no seio materno”. Na mesma ocasião o Papa nos faz uma importante exortação: “peçamos também nós a graça de ser, como os pastores, capazes de admiração e louvor diante de Deus, e capazes de preservar os dons que Ele nos confiou”. Vejamos:
O Filho de Deus entra na história, fazendo-se nosso companheiro de caminho, e começa a viajar quando ainda está no seio materno. O evangelista Lucas narra-nos que, assim que foi concebido, partiu de Nazaré para a casa de Zacarias e Isabel; e depois, quando a gravidez já terminou, de Nazaré rumo a Belém, para o recenseamento. Maria e José são obrigados a ir para a cidade do rei David, onde também José tinha nascido. O Messias há tanto esperado, o Filho do Deus altíssimo, deixa-se contabilizar, isto é, ser contado e recenseado, como qualquer cidadão. Submete-se ao decreto de um imperador, César Augusto, que se julga senhor de toda a terra.
Lucas insere o nascimento de Jesus num «tempo exatamente datável» e num «ambiente geográfico exatamente indicado», de tal modo que «o universal e o concreto se tocam» (Bento XVI, A infância de Jesus, 2012, 77). Deus, que entra na história, não desarticula as estruturas do mundo, mas quer iluminá-las e recriá-las a partir de dentro.
Belém significa «casa do pão». Foi ali que, para Maria, se cumpriram os dias do parto e foi ali que nasceu Jesus, pão descido do céu para saciar a fome do mundo (cf. Jo 6, 51). O anjo Gabriel tinha anunciado o nascimento do Rei messiânico no sinal da grandeza: «Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dar-lhe-á o trono do seu pai David; reinará eternamente na casa de Jacob, e o seu reino não terá fim» (Lc 1, 32-33).
No entanto, Jesus nasce de modo totalmente inédito para um rei. Com efeito, «quando estavam naquele lugar, completaram-se para ela os dias do parto. Deu à luz o seu filho primogénito e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o numa manjedoura, pois para eles não havia lugar na hospedaria» (Lc 2, 6-7). O Filho de Deus não nasce num palácio real, mas na parte de trás de uma casa, no espaço onde estão os animais.
Assim, Lucas mostra-nos que Deus não vem ao mundo com proclamações retumbantes, não se manifesta no clamor, mas inicia o seu caminho na humildade. E quem são as primeiras testemunhas deste acontecimento? São alguns pastores: homens de pouca cultura, malcheirosos devido ao contacto constante com os animais, vivem à margem da sociedade. Contudo, eles exercem a profissão através da qual o próprio Deus se dá a conhecer ao seu povo (cf. Gn 48, 15; 49, 24; Sl 23, 1; 80, 2; Is 40, 11). Deus escolhe-os como destinatários da notícia mais bonita que jamais ressoou na história: «Não tenhais medo: eis que vos anuncio uma boa nova, que será alegria para todo o povo: hoje, na cidade de David, nasceu para vós um Salvador, que é Cristo Senhor. Este será o sinal para vós: encontrareis um recém-nascido envolto em faixas e reclinado numa manjedoura» (Lc 2, 10-12).
O lugar para ir ao encontro do Messias é uma manjedoura. Com efeito, acontece que, depois de tanta espera, «para o Salvador do mundo, para Aquele por quem todas as coisas foram criadas (cf. Cl 1, 16), não há lugar» (Bento XVI, A infância de Jesus, 2012, 80). Assim, os pastores descobrem que, num lugar extremamente humilde, reservado aos animais, nasce para eles o Messias há tanto esperado, para ser o seu Salvador, o seu Pastor. Uma notícia que abre o seu coração à admiração, ao louvor e ao anúncio jubiloso. «Ao contrário de tanta gente ocupada a fazer muitas outras coisas, os pastores tornam-se as primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação que nos é oferecida. São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o acontecimento da Encarnação» (Carta apostólica Admirabile signum, 5).
Irmãos e irmãs, peçamos também nós a graça de ser, como os pastores, capazes de admiração e louvor diante de Deus, e capazes de preservar o que Ele nos confiou: os talentos, os carismas, a nossa vocação e as pessoas que coloca ao nosso lado. Peçamos ao Senhor para saber vislumbrar na debilidade a força extraordinária do Deus Menino, que vem para renovar o mundo e transformar a nossa vida com o seu desígnio cheio de esperança para toda a humanidade
Sob o olhar de São José, aprendamos preservar os dons que Deus nos confiou.
4 Reflexão e Partilha
Partilhar sobre as palavras dos Papas João Paulo e Francisco contidas nesta Semente de Espiritualidade Josefina.
5 Compromisso do Mês
Seguindo as orientações do Papa Francisco, peçamos também nós a graça de ser, como os pastores, capazes de admiração e louvor diante de Deus, e capazes de preservar os dons que Ele nos confiou.
6 Oração Final
[1] Papa Francisco. Audiência Geral. 12 de fevereiro de 2025.
[2] São João Paulo II. Papa. Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 18.
[3] São João Paulo II. Papa. Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 18.
